Pr. Jailson Santos

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Analise do Livro “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida.






Analise do Livro “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida.

DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR.


1831 – No dia 17 de novembro, na cidade do Rio de Janeiro, nasce Manuel Antônio de Almeida.

1840 – Órfão de pai, Manuel Antônio faz seus estudos com dificuldades.

1848 – Ingressa na Faculdade de Medicina e começa a trabalhar no jornal Correio Mercantil.

1852 – Publica no Correio Mercantil, em folhetins semanais, Memórias de um sargento de milícias, com o pseudônimo “Um brasileiro”.

1854 – É publicado em livro o primeiro volume de Memórias de um sargento de milícias.

1855 – É publicado em livro o segundo volume de Memórias de um sargento de milícias.

1857 – É nomeado diretor da Imperial Academia de Música e Ópera Nacional. Fica no cargo até 1860, quando essa entidade é extinta. Administra a Tipografia Nacional, aonde vem a conhecer um jovem tipógrafo que se tornaria o maior escritor do século XIX: Machado de Assis.

1859 – Participa da fundação do Liceu de Artes e Ofícios, escola da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, de que era secretário.

1861 – No dia 28 de setembro, morre no naufrágio do navio Hermes, quando se dirigia à cidade de Campos.

1863 – Nova publicação dos dois volumes de Memórias de um sargento de milícias, quando, pela primeira vez é indicado o nome do autor: Manuel Antônio de Almeida.


ESTRUTURA DA OBRA


O livro está dividido em duas partes bem distintas: a primeira com 23 capítulos e a segunda com 25. Fora publicado inicialmente, sob anonimato, na forma de folhetins, no suplemento dominical “A Pacotilha” do “Correio Mercantil”, em 1852, jornal carioca onde trabalhava. O que fez com que, os episódios fossem quase autônomos, só ligados pela presença de do personagem principal Leonardo, dando à obra uma estrutura mais de novela que de romance.


GÊNERO DA OBRA.

Memórias de um Sargento de Milícias é romance narrado ora em terceira pessoa, ora em primeira pessoa, sendo um narrador-observador quem conta a história. A obra é narrativa com um com um forte torque de descrição.

Essa descrição fica clara em partes tais como: “Este apresentou-lhe a irmão, Vidinha, uma mulatinha de 18 a 20 anos, de altura regular, ombros largos, peito alteado, cintura fina e pés pequeninos; tinha os olhos muito pretos e muito vivos, os lábios grossos e úmidos, os dentes alvíssimos, a fala era um pouco descansada, doce e afinada”.


ESTILO DE ÉPOCA.


Tendo surgido em pleno Romantismo, Memórias de um Sargento de Milícias apresenta uma narrativa desembaraçada, e bem humorada, com conversações colhidas ao vivo e uma multidão de personagens vivos, extraídos da gente do povo, primando pela originalidade. Todavia, alguns a consideram como sendo uma obra com toques de realismo. Para alguns é uma obra de transição para o Realismo.


VOCABULÁRIO


O vocabulário tem três características principais:


1) A linguagem utilizada pelo autor em toda a novela, embora de cunho popular, tem muito do linguajar tipicamente português, o que revela, sem dúvida, a marcante presença da gente em nossa terra no “tempo do rei”:
“Pois estoure, com trezentos diabos!”

2) Construções bem clássicas:
“Coimbra era a sua idéia fixa, e nada há arrancava da cabeça."

3) A ironia e o humor estão presentes na obra do começo ao fim:
“Luisinha, conduzida por D. Maria, que lhe ia servir de madrinha, embarcou num dos destroços da arca de Noé, a que chamamos carruagem;”

Este vocabulário nos remete ao tempo do autor (1852), todavia traz algumas dificuldades para o leitor contemporâneo, mas não interfere no entendimento da história central da obra.


“ASPECTOS TEMÁTICOS MARCANTES”


1) Para Antônio Soares Amora, “a intenção do autor, ao escrever seu romance de folhetins para a “Pacotilha”, não é difícil perceber; oferecer ao leitor, de um lado, um romance engraçado, pelos tipos que nele entravam, pelas suas expressões, pelas suas atitudes e ações; de outro, um romance de costumes populares, de um Rio que deixara de existir, com a modernização da vida carioca, iniciada no decênio de 1830; um Rio do começo do século, ronceiro e roceiro, mas bem mais pitoresco e alegre, pelas despreocupações de sua gente e pelas festas populares (procissões, folias do Divino, fogos no Campo de Santana, as súcias), e por isso um Rio de que os mais velhos, nos anos de 1850, se recordavam com nostalgia”.

2) Além desses aspectos citados, que configuram bem a “época do Rei” (início do século XIX, quando D. João VI esteve no Brasil fugido de Napoleão), destaca-se também no livro o anticlericalismo típico da época, em que se expõem as safadezas de padres e outros podres da Igreja de Roma.

3) Ao traçar o perfil de Leonardo, protagonista da novela, o autor retrata um tipo genuinamente brasileiro, com sua malandragem bem carioca e sua propensão ao “dolce far niente” (= não fazer nada, ócio), numa aversão ao trabalho, que antecipa, em quase um século, o celebrado “herói sem nenhum caráter” e modelo de nossa gente, Macunaíma, do modernista Mário de Andrade.

4) Apresentando um perfil pautado pela retidão e pelo senso de responsabilidade, que o aproxima mais do herói tradicional que Leonardo, o major Vidigal é bem a encarnação do poder constituído e da ordem estabelecida. Com sua implacabilidade à cata de malandros, o major representa, sem dúvida, o guardião de normas sociais que padronizam comportamentos e enquadram tipos rebeldes que ousam transgredi-las.

5) Simbolicamente, dada à liberdade que me permite a teoria da obra aberta, pode-se ver, nessas “memórias” de Leonardo, a trajetória existencial de qualquer ser humano, desde o nascimento, quase sempre fruto de um amor que brota com uma “pisada no pé” (que varia conforme o costume da época...), até o enquadramento social, que se concretiza com o casamento e, sobretudo com a investidura da camisa de força imposta pelo major Vidigal. Sem dúvida, o “happy end” da conclusão é um final irônico, em que o ser humano dá adeus às travessuras e às ilusões para se enjaular nos limites estreitos de uma vidinha miúda e besta, pautada pelo bom comportamento de um sargento de milícias.


PERSONAGENS


Leonardo: anti-herói, herói às avessas, herói picaresco - desde a infância é esperto, vagabundo e mulherengo, assemelha-se ao protagonista, Macunaíma.

Leonardo Pataca: oficial de justiça, sentimental, sempre enroscado em suas paixões.

Maria-da-Hortaliça: mãe do herói.

Major Vidigal: temido e respeitado por todos. Severo punidor, é, ao mesmo tempo, policial e juiz.

Comadre: protetora de Leonardo vive tentando livrá-lo dos enroscos em que se metia.

Compadre Barbeiro: outro protetor. Cria o menino como se fosse o seu filho, sonhando um próspero futuro para ele; só que isso não acontece.

D. Maria: velha, rica e bondosa. Era apaixonada por causas judiciais. Tia e tutora de Luisinha, amiga da comadre e do compadre.

Luisinha: primeiro amor de Leonardo. Suas características fogem da idealização dos modelos românticos: era feia, pálida e desajeitada.

José Manuel: caça-dotes representa uma crítica à burguesia.

Vidinha: cantora de modinhas, segunda paixão de Leonardo.

Chiquinha: filha de D. Maria e esposa de Leonardo-Pataca.

Maria-Regalada: amante de Vidigal.

Além desses, há outros como: A vizinha, a cigana, o mestre-de-rezas, Tomás, etc.


ANALISE DA OBRA.


Ao invés da sofisticada e fina gente carioca da época, “Memórias de um Sargento de Milícias”, mostra a vida das pessoas simples do Rio de Janeiro no tempo do Rei D. João VI. E relato de maneira crítica, irônica e bem humorada a realidade da época.
Usando o gênero narrativo e em alguns casos descritivos, Manuel Antônio de Almeida, traz uma história envolvente, recheada de episódios sentimentais, com cenas de suspense e perigo, e, segue a lógica dos escritos, o de final feliz onde os bons são premiados e os maus punidos.
O autor usa uma linguagem clara e uma seqüência progressiva e lógica.


BIBLIOGRAFIA:

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. São Paulo: Editora Paulus. 2005. 199 p.

http://www.portrasdasletras.com.br

http://www.maiseducacao.com

ALMEIDA, Manuel Antônio. Memórias de um Sargento de Milícias - Parte 1. Disponível em: . Acessado em 25/05/08

2 comentários:

Jailson Santos

Mestrando em Divindade pelo Centro de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie - São Paulo)

Bacharel em Teologia pelo Seminário JMC e Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana Aliança em Limeira - SP

Professor de teologia sistemática no SPFB

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